QUINTA DA BROA
Sobranceira ao rio que outrora The deu o nome, a antiga Quinta do Almonda, hoje da Brôa, é marcada por uma imponente construção da primeira metade do século XIX. Ao atravessar o campo da Golega, quando se achega a Azinhaga, a Azzancha dos árabes, no local onde a antiga Estrada Real se funde com a actual Estrada Nacional, logo se destaca o majestoso palácio.
De linhas sóbrias e de matiz rural, foi mandado edificar, em 1860, por Rafael José da Cunha, o "Príncipe dos Lavradores de Portugal", em terras que foram dos Condes da Ribeira Grande, cujas armas ainda encimam os pilares do portão principal da Quinta.
O palácio-residência, honrado que foi pelas visitas reais de D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, e D. Pedro V, vê o seu alçado norte limitado por uma esplendorosa varanda, que olha a lezíria em toda sua magnificência, cujas paredes exibem painéis de azulejos da época e pinturas alegóricas à Agricultura, à Abundância, ao Comércio e à Indústria, que dão a ilusão a quem ao longe as observa, de estátuas em pedra, dentro de nichos. De destacar o trompe l'oeil, técnica artística muito presente em todo interior da casa, conferindo-lhe rara beleza, através de pinturas sobre o estuque, quer nas paredes, quer nos tectos, que integram cenas do mundo agricola, à época, entre outras, limitadas por falsos mármores, bem como, outros embelezamentos decorativos.
Se o Palácio da Quinta da Brôa a demarca, todas as construções que o rodeiam, como as cavalariças, os celeiros e o antigo lagar, entre outras, também lhe aditam valor histórico-patrimonial, quer pela sua arquitectura, quer pela sua escala e estrutura, ilustrando nos dias de hoje, o que foi um centro de grandes domínios agrícolas, cujo proprietário foi referência da agricultura portuguesa no século XIX, o qual veio a legar a Brôa à sua sobrinha, D. Adelaide Augusta Tavares Veiga, sendo na actualidade propriedade de um dos seus trinetos.