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A pouca distância do quintal dos meus avós havia umas ruínas. Era o que restava de umas antigas malhadas de porcos. Chamávamos-lhes as malhadas do Veiga e eu costumava atravessá-las quando queria abreviar o caminho para passar de um olival a outro. Um dia, devia andar pelos meus dezasseis anos, dou com uma mulher lá dentro, de pé, entre a vegetação, compondo as saias, e um homem a abotoar as calças. Virei a cara, segui adiante e fui sentar-me num valado da estrada, a distância, perto de uma oliveira ao pé da qual, dias antes, tinha visto um grande lagarto verde. Passados uns minutos vejo a mulher a atravessar o olival em frente.
Quase corria. O homem saiu das ruínas, veio para mim (devia ser um tractorista de passagem na terra, contratado para algum trabalho especial) e sentou-se ao meu lado. «Mulher asseada», disse. Não respondi.
A mulher aparecia e desaparecia entre os troncos das oliveiras, cada vez mais longe. «Disse que você a conhece e que vai avisar o marido.» Tornei a não responder.
O homem acendeu um cigarro, soltou duas baforadas, depois deixou-se escorregar do valado e despediu-se: «Adeus.» Eu disse:
«Adeus.» A mulher tinha desaparecido de vez. Nunca mais tornei a ver o lagarto verde.
Última atualização: 23-05-2026
Localização (Lat., Lon.): 39.345065, -8.532995